A Família e a Administração local, na transmissão do conhecimento e de valores.

Os problemas da educação e de civilidade estão entre as principais preocupações sociais e dominam a agenda política dos governos europeus, fazendo-os apostar na concepção, de novas Leis, de novas políticas de integração e de fundos estatais para contrariar a incapacidade das Escolas, na transmissão de valores, propícios ao desenvolvimento normal de uma nação trabalhadora, motivada e civilizada.

Neste momento, o Estado está a contribuir para a transformação dos filhos de toda uma nação num grupo multinacional económico, obedecendo apenas a quem paga mais, em vez de defender os valores fundamentais e sentimentais da nossa comunidade e das nossas gentes, destruindo de um modo definitivo, a riquíssima relação da super célula familiar, denominada como Avós-Pais-Filhos. Ao eliminar esta relação, estamos a condenar à morte, a sabedoria de vida dos mais Idosos (o passado), a resistência aos actuais desafios da vida (o presente) e a capacidade de imaginar, criar e de programar o melhor para nós e para os nossos filhos (o futuro).

 

O sistema de ensino, tem-se mostrado incapaz de substituir a família nos aspectos intrínsecos da educação, ficando completamente arredada a noção de comunidade, de humanidade e de responsabilidade, nas nossas crianças. Aliás, o sistema de ensino tem vindo a adoptar medidas para que a “não-educação” impere, formatando as mentes das nossas crianças em modelos anárquicos, de aceitação de tudo o que lhes aparece pela frente, quer seja a moda mais estupefacta ou bizarra, quer seja no ponto de vista civil e político, criando, nas crianças e nos jovens, um sentimento de isolamento e de desorganização em que, perante uma autoridade económica forte e coesa, as nossas crianças e jovens, poderão apenas responder com a total submissão.

 

À incapacidade do actual sistema educativo podemos aliar a crescente insegurança e afastamento familiar. O desemprego, a má gestão sentimental na única relação viável na nossa comunidade, entre o homem(Pai) e a mulher(Mãe), a deseducação proporcionada pela Televisão e pela Internet, a violência quer arquitectónica quer ambiental em que todos estamos expostos(não são só as nossas crianças!), leva ao colapso de todas as gerações viventes, separando-as e eliminando a possibilidade de formação de grupos de resistência ao terrorismo capitalista/comunista, proporcionado pela actual governação existente na Europa e no mundo.

 

As nossas crianças, acabam por se sentir, de um certo modo abandonadas, pela família, pelos professores e pelo Estado. E por isso mesmo, todos os Pais, Mães e Professores de Portugal, deveriam explicar às nossas crianças, que o facto de não passarem mais tempo com elas, deve-se única e exclusivamente, às medidas tomadas nos anteriores, actuais e sucessivos Governos, à falta de apoio familiar, de condições de mobilidade nas estradas e nos transportes públicos, de condições de trabalho, de segurança e de informação adequada à criação de um ambiente familiar unido e feliz. Sem descartar também as nossas responsabilidades, claro!

 

A escola tem como objectivo, a transmissão de conhecimentos especializados, na preparação dos seus alunos para lidarem com a abundante informação, o esclarecimento sobre o respeito pela autoridade, pela cultura local, pela Família e como deve detectar os problemas e excessos nessa autoridade e resolvê-los. A escola tem também como objectivo o de ensinar aos nossos jovens, a cumprir os seus deveres, a desenvolverem com dignidade as suas potencialidades, a serem profissionais com qualidade, honestos e trabalhadores, bem como defender os seus direitos e a criarem condições para a afirmação da sua própria Identidade e Liberdade.

 

A Família tem como objectivo, a formação da personalidade e do carácter, através do amor, da afectividade e na partilha do conhecimento da vida, o ensinamento de regras morais e sociais, a interiorização de modelos de comportamento com sentido de responsabilidade para com a comunidade e o reconhecimento da autoridade pessoal, familiar e Estatal, reconhecendo também o respeito, a experiência adquirida dos familiares e as tradições culturais pacíficas e respeitadoras dos direitos humanos.

 

Se dermos condições aos Professores e às Famílias, a nossa juventude irá agir conforme as Leis e terá uma consciência de cidadão cumpridor, servindo o Estado e a sociedade envolvente. Assim, a formação de uma personalidade consciente e livre, capaz de transmitir valores, convicções e confiança, terá três “inspectores” perfeitos para o reconhecimento da sua condição de cidadão. Os Professores e Administradores Públicos, representantes do Estado, e a Família, representante da comunidade onde todos nós estamos inseridos.

 

Um Estado Centralizador, nunca foi capaz de “inventar” um sistema educacional e de segurança familiar porque, o que se trata aqui realmente, são assuntos de jurisdição local. Os problemas sociais e educacionais numa localidade, podem nem ser iguais noutra, e tudo dentro do mesmo Estado ou Nação. E aqui reforço ainda mais uma vez, que só as autoridades locais podem resolver de um modo integral, o que o Estado concebe como tópicos gerais de medidas de educação e civilidade.

 

O Sentinela.

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